Bolsonaristas começam a abandonar o barco

Otoni acusou o presidente de manipular os apoiadores que estão à frente dos quartéis, à espera de uma conclamação de Bolsonaro ou mesmo de uma intervenção militar.

Da Redação
19/12/2022 - 17:36
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Bolsonaristas começam a abandonar o barco

A mensagem partiu de Otoni de Paula, um deputado federal do MDB-RJ que integra a base do governo Jair Bolsonaro (PL). Em uma live no último sábado (17), Otoni acusou o presidente de manipular os apoiadores que estão à frente dos quartéis, à espera de uma conclamação de Bolsonaro ou mesmo de uma intervenção militar.

“As frases e as fotos enigmáticas (de Bolsonaro) estão fazendo tão mal ao povo. Beira a covardia, a manipulação”, disparou o parlamentar. “Tem pessoas se divorciando, com crise no casamento, porque resolveram acampar há 40 dias na porta de quartéis. Tem brasileiros que perderam o emprego e que estão em uma situação lamentável, movidos por amor à pátria.”

https://twitter.com/delucca/status/1604678197618032640?t=CyfljmHLjgSo7-FZOSh-Hw&s=19

A revolta de Otoni não é única entre os bolsonaristas, mas surpreende pelo tom de decepção com o presidente: “Ele não tem o direito de estar em silêncio. Bolsonaro precisa falar claramente ao seu povo. Se não parar de blefar, a sua derrota será avassaladora”.

Segundo o deputado, é tarde demais para esperar um gesto: “Acham que o presidente Bolsonaro vai agir – e eu digo, olhando para a câmera: não vai! Não se iludam. Saiam das portas dos quarteis. Vocês serão presos e não haverá ninguém que os defenda”.

O agravante, de acordo com Otoni, é que não há base legal nenhuma para contestar o resultado das eleições 2022: “Não nos resta mais nada, a não ser reconhecer que houve uma derrota. Podemos questionar que houve uma manipulação moral, mas não há provas para ter a base de que houve alguma fraude eleitoral”.

Se estes são os fatos, o também deputado Marcelo Ramos (PSD-AM) arrisca uma explicação. A seu ver, Bolsonaro se cala para não incriminar ainda mais a si próprio e aos filhos, que se atemorizam com o risco de prisão. “O silêncio dele no público é contraditório com as manifestações das redes sociais dos agentes dele, que instigam a população a manter esse tipo de mobilização antidemocrática”, declara o parlamentar À CartaCapital.

“Os gestos que eu observei nos bastidores em Brasília mostram que tudo isso que está acontecendo é porque Bolsonaro está apavorado com a hipótese dele e dos filhos responderem pelos crimes que cometeram”, agrega. “Ele tensiona, justifica que só ele pode diminuir essa tensão, mas que para diminuí-la ele precisa de uma garantia que não vai responder pelos crimes que cometeu. Os emissários dele vivem agindo aqui nos bastidores do Parlamento e do Judiciário com essa tese de senador vitalício.”

Como a cúpula do Congresso já fechou questão contra qualquer tipo de imunidade a Bolsonaro, a tendência é que a revolta se alastre. “É importante que fique claro que o processo de pacificação que o País vai viver não passa por anistiar criminosos. Portanto, essa estratégia dele vai falhar”, conclui Ramos