Bolsonaro roubou e vendeu relógios quando ainda era presidente

O relatório da Polícia Federal concluiu que Bolsonaro roubou e vendeu relógios de luxo pertencentes à União

Da Redação
10/07/2024 - 06:23
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Bolsonaro roubou e vendeu relógios quando ainda era presidente

O relatório da Polícia Federal concluiu que Bolsonaro roubou e vendeu relógios de luxo pertencentes à União quando ainda era Presidente do país.

por Jeferson Miola  – Ilustração:   Lattuf

Na prática dos crimes, Bolsonaro contou com a cumplicidade e o apoio operacional do tenente-coronel do Exército Mauro Cid e do seu pai, o general do Exército Lorena Cid.

A PF reuniu elementos que indicam que o chamado “Kit Ouro Branco” –composto por um relógio Rolex, uma caneta Chopard, um par de abotoaduras, um anel e um rosário árabe– foi desviado para os EUA em junho de 2022.

O “Kit” e outros bens roubados foram ilegalmente transportados em avião da FAB durante a missão oficial de Bolsonaro nos EUA para participar da Cúpula das Américas em Los Angeles.

A PF apurou no Sistema de Tráfego Internacional que o tenente-coronel Mauro Cid integrou a comitiva presidencial que viajou no dia 8 de junho de 2022, mas “seu retorno para o Brasil se deu apenas no dia 21 de junho de 2022”.

Neste período em solo estadunidense, Mauro Cid prospectou lojas para vender os relógios, jóias e demais bens roubados da União.

A PF chegou a esta conclusão a partir da análise de registros no aparelho celular do tenente-coronel.

“Revelou-se que no dia 13 de junho de 2022, às 14h23, ele pesquisou no aplicativo Waze um endereço na cidade de Willow Grove, estado da Pensilvânia/EUA. Após a pesquisa, os dados demonstram que ele iniciou o deslocamento até o destino escolhido”, descreve a PF.

O relatório esclarece que “o endereço refere-se ao Willow Grove Park Mall, o qual apresenta em sua página oficial na internet exatamente o endereço pesquisado e navegado no aplicativo Waze: West Moreland Road, 2500. Trata-se de um Shopping Center, o qual abriga a loja especializada em vendas de relógios novos e usados, Precision Watches” [grifos no original].

Na ocasião, Mauro Cid vendeu um Rolex Day-Date e outro relógio da marca Patek Philippe por U$ 68.000 [sessenta e oito mil dólares] – R$ 346,9 mil na cotação da época.

A localização da loja Precision Watches “coincide com o endereço enviado por MAURO CID para OSMAR CRIVELATTI em 08 de março de 2023, quando estavam tentando reaver os itens do denominado ‘KIT OURO BRANCO’ para devolvê-los ao Estado brasileiro, por determinação do TCU”, diz a PF.

A PF encontrou nos dados armazenados por Mauro Cid uma fotografia do comprovante de depósito bancário no valor de U$ 68.000 realizado pela empresa Precision Watches no dia 14 de junho de 2022 em conta bancária no BB Américas pertencente ao pai dele, o general Lorena Cid.

O dinheiro ilegal obtido com a venda e creditado na conta do general Lorena Cid foi entregue em espécie para Bolsonaro. Para a PF, este procedimento teve o objetivo de evitar, “de forma deliberada, passar pelos mecanismos de controle e pelo sistema financeiro formal, possivelmente para evitar o rastreamento pelas autoridades competentes”.

A PF concluiu também que, “já em 2023, [Lorena Cid] guardou em sua residência, na cidade de Miami, as esculturas douradas (barco e arvore)”. Além disso, pai e filho “encaminharam os objetos desviados, pertencentes ao acervo público brasileiro, para estabelecimentos comerciais especializados para serem avaliados e vendidos por meio de leilão”.

O trabalho diligente e meticuloso da PF no inquérito sobre o roubo e a venda de bens da União não deixa lugar para dúvidas: Bolsonaro e seus comparsas não escaparão de condenações à prisão.

A Procuradoria-Geral da República está diante do “excesso” de provas de ilícitos cometidos por um criminoso que instalou no Palácio do Planalto um verdadeiro escritório do crime.

Fonte: Blog do Jefferson Miola. As opiniões do articulista não expressam, necessariamente a opinião editorial do AparecidaNet