Desmatamento na Amazônia bate novo recorde no mês de outubro e chega a 904 km²

Desde agosto, os alertas aumentaram 44,65%. Entre agosto e outubro, o acumulado é de 4.020 km², contra 2.779 km2 no mesmo período de 2021.

Da Redação
11/11/2022 - 20:51
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Desmatamento na Amazônia bate novo recorde no mês de outubro e chega a 904 km²

Na Amazônia, os alertas de desmatamento em outubro totalizaram 904 km², o pior número para o mês desde 2015, quando foi iniciada a série histórica do sistema Deter-B, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). É um aumento de 3% em relação a outubro do ano passado.

Desde agosto, os alertas aumentaram 44,65%. Entre agosto e outubro, o acumulado é de 4.020 km², contra 2.779 km2 no mesmo período de 2021. Os dados do Inpe foram divulgados nesta sexta-feira (11) pelo Observatório do Clima, que chamou de “herança destrutiva” o passivo ambiental deixado por Bolsonaro.

Os números ruins serão herdados pelo presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que prometeu implementar o “desmatamento zero” no Brasil. Com Jair Bolsonaro (PL), o desflorestamento atingiu 13.038 km2 em 2021, a maior taxa em 15 anos, que representa alta de 73% em relação a 2018, primeiro ano de Bolsonaro no poder.

Corrida pela destruição

“Neste fim de mandato, há uma corrida de criminosos ambientais para derrubar a floresta, aproveitando o fato de que ainda têm um parceiro sentado na cadeira da presidência da República”, afirma Marcio Astrini, secretário executivo do Observatório do Clima, em nota divulgada pela ONG.

Além do desmatamento, crescem também as queimadas na Amazônia. O total de focos no bioma entre janeiro e outubro deste ano já é 49,5% maior do que no ano anterior. Foram 101.215 focos de janeiro a outubro de 2022, contra 67.715 nos mesmos meses de 2021.

“Enquanto Lula está a caminho do Egito para se reunir com líderes do mundo inteiro na tentativa de resgatar a imagem do Brasil, Bolsonaro continua no país, implementando sua agenda de destruição ambiental.”

Queimadas em alta em Rondônia e Acre

Brasil de Fato já havia reportado que, em Rondônia e no Acre, as queimadas na primeira semana de novembro, logo após as eleições, ultrapassaram os piores números já registrados desde o início da série histórica, em 1998. Os estados deram mais de 70% dos votos a Bolsonaro e reelegeram apoiadores do presidente para governador.

Rondônia fechou a primeira semana do mês com 1302 focos de queimadas, contra 125 no mesmo período de 2021. O aumento foi de quase 1000% entre um ano e outro. O pior início de novembro até então havia sido em 2005, com 1028 ocorrências.

No Acre, 728 focos foram detectados pelo Inpe no acumulado do mês. O número é quase cinco vezes superior ao do início de novembro de 2011, o pior da série histórica, quando 152 queimadas foram registradas.

“Baile da Ilha Fiscal”

Com a expectativa de que o novo governo cumpra a promessa de “desmatamento zero”, especialistas já suspeitavam que a degradação da Amazônia pudesse sofrer aumento significativo neste ano.

“O ano de 2022 me assusta. Tenho uma sensação de Baile da Ilha Fiscal. Ou seja, ‘vamos degradar o mais rápido possível antes que mude de governo'”, afirmou ao Brasil de Fato em fevereiro deste ano a ex-presidente do Ibama e especialista sênior em políticas públicas do Observatório do Clima (OC), Suely Araújo.

Citado por Araújo, o Baile da Ilha Fiscal foi o último grande e opulento banquete da monarquia brasileira, realizado em 9 de novembro, há 133 anos. Dias depois, a República foi instaurada, e os monarcas perderam privilégios.

Edição: Thalita Pires – BdF