Mandante de matar Marielle foi ex-deputado estadual, Domingos Brazão, que fez campanha para Bolsonaro

Ronnie Lessa, o ex-PM acusado de matar Marielle Franco e Anderson Gomes, confirmou em delação premiada o que já havia contado em julho do ano passado o ex-PM Elcio Queiroz, que dirigia o carro usado para cometer o crime.

Da Redação
23/01/2024 - 22:16
  • Compartilhe no Facebook
  • Compartilhe no Twitter
  • Compartilhe no Linkedin
  • Compartilhe no Telegram
  • Compartilhe no WhatsApp

Mandante de matar Marielle foi ex-deputado estadual, Domingos Brazão, que fez campanha para Bolsonaro

Ronnie Lessa, o ex-PM acusado de matar Marielle Franco e Anderson Gomes, confirmou em delação premiada o que já havia contado em julho do ano passado o ex-PM Elcio Queiroz, que dirigia o carro usado para cometer o crime.

O empresário e ex-deputado estadual, Domingos Brazão (MDB), segundo Lessa, foi um dos mandantes do atentado que matou a vereadora e seu motorista.

Brazão, de 58 anos, foi vereador, deputado estadual por cinco mandatos consecutivos (1999-2015) e conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do (TCR-RJ). Uma série de polêmicas e processos envolvem seu nome ao longo de seus mais de 25 anos de vida pública.

Já foram levantadas contra ele suspeitas de corrupção, pela qual foi afastado e depois reconduzido ao cargo de conselheiro do TCE-RJ, fraude, improbidade administrativa, compra de votos e até homicídio.

 

A informação de que Brazão foi citado em delação por Lessa foi confirmada pelo Intercept Brasil por fontes ligadas à investigação.

Lessa está preso desde março de 2019 acusado de ser o autor dos disparos que mataram Marielle e Anderson. O acordo de delação premiada que ele fez com a Polícia Federal (PF) ainda precisa ser homologado pelo Superior Tribunal de Justiça, o STJ, pois Brazão tem foro privilegiado por ser conselheiro do Tribunal de Contas do Rio de Janeiro.

Advogado diz desconhecer declaração

Márcio Palma, advogado de Domingos Brazão disse ao Globo que não ficou sabendo dessa informação. Disse também que tudo que sabe sobre o caso é pelo que acompanha pela imprensa, já que pediu acesso aos autos e foi negado, com a justificativa que Brazão não era investigado.

Domingos Brazão sempre negou em várias entrevistas à imprensa qualquer participação no crime.

Passaporte diplomático concedido por Bolsonaro

João Vitor Moraes Brazão e Dalila Maria de Moraes Brazão, filho e esposa do deputado federal Chiquinho Brazão (Avante-RJ), receberam do Itamaraty o passaporte diplomático em 9 de julho deste ano. O parlamentar, que também possui o documento, é irmão de Domingos Inácio Brazão, que era conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ), acusado de obstruir as investigações sobre o assassinato da vereadora Marielle Franco, ocorrido em março de 2018, e suspeito de ser num dos mandantes do crime.

Os integrantes da família Brazão estão em uma lista com os 1694 passaportes diplomáticos emitidos pelo governo Jair Bolsonaro (PSL) até 15 de agosto de 2019, a qual o Brasil de Fato teve acesso por meio da Lei de Acesso à Informação.