Com 98% das urnas apuradas, os resultados indicam a realização de um segundo turno previsto para 19 de novembro entre o atual ministro da Economia, Sergio Massa, da coligação Unión por la Patria, que obteve 36,68% dos votos, contra o excêntrico Milei, que somou 29,98% dos votos.

A apuração dos votos chegou a 98,51%:

Sergio Massa (Unión por la Patria): 36,68% ou 9.645.983 de votos;

Javier Milei (La Libertad Avanza): 29,98% ou 7.884.336 de votos;

Patricia Bullrich (Juntos por el Cambio): 23,83% ou 6.267.152 de votos;

Juan Schiaretti (Hacemos por Nuestro País): 6,78% ou 1.784.315 de votos; e

Myriam Bregman (Frente de Izquierda): 2,7% ou 709.932

A candidata da coligação Juntos por el Cambio, a ex-ministra Patricia Bullrich, foi a terceira força eleitoral, obtendo 23,83%. A coligação de Bullrich foi capitaneada pelo ex-presidente Mauricio Macri, que quase conseguiu eleger, já no primeiro turno, o seu primo Jorge Macri para o governo da província de Buenos Aires.

Na eleição para a prefeitura da cidade de Buenos Aires, Jorge Macri, do Juntos por el Cambio, obteve 49,61% (879.315 votos), enquanto Leandro Santoro, do Unión por la Patria, alcançou 32,20% (570.862 votos), e enfrentará o primo do ex-presidente no segundo turno.

Já as eleições para a província de Buenos Aires, a maior e mais populosa das 23 províncias do país, a coligação de Massa vai para o segundo turno com mais tranquilidade: Axel Kicillof obteve 44,88% dos votos (4.233.092 votos) contra Néstor Grindetti, do Juntos por el Cambio, conquistou 26,62% (2.511.108 votos)

Tanto na eleição para prefeitura da cidade de Buenos Aires quanto para a província de Buenos Aires, os candidatos de Javier Milei e da La Libertad Avanza não conseguiram alcançar o segundo turno. Ramiro Marra (13,89% ou 246.179 votos) e Carolina Píparo (24,59% ou 2.319.085 votos) frustraram a extrema-direita argentina.

Os discursos de Massa e Milei

Ainda à noite na Argentina, Sergio Massa e Javier Milei fizeram discursos a apoiadores e deram o tom de como a campanha para o segundo turno será realizada.

Massa não perdeu tempo e convocou um “governo de unidade nacional” no seu comício em Chacarita. ” A partir de 10 de dezembro vamos abrir uma nova etapa institucional na política argentina: vou pedir um governo de unidade nacional baseado na convocação dos melhores, independentemente de sua força política”, disse ele.

“Sei que muitos dos que votaram em nós são os que mais estão sofrendo. Não vou decepcioná-los. Meu compromisso é construir uma pátria onde nossos filhos possam escolher ir à escola com um computador na mochila e não com uma arma”, afirmou Massa.

“No dia 19 de novembro teremos que decidir se construímos um país que abrace a todos ou o país do salve-se quem puder. Vou abraçar a cada argentino e argentina, não importa como pensem, não importa sua religião e sua condição social”, disse Massa.

Já Milei discursou no hotel Libertador, dando amostras de como sua campanha lidará com o segundo turno da eleição presidencial e com o surpreendente desempenho de Massa: “estou disposto a embaralhar e dar de novo [as cartas] para acabar com o kirchnerismo”, disse o candidato de extrema-direita.

Buscando os votos da direita e do centro, o candidato da La Libertad Avanza sugere aliança com as coligações derrotadas para fortalecer o voto anti-kirchnerista.

“A campanha fez com que muitos de nós, que queremos mudança, nos confrontássemos, por isso estou aqui para acabar com esse processo de agressões e ataques. E estou disposto a fazer uma chapa limpa, embaralhar e dar de novo, para acabar com o kirchnerismo”, disse.

Tal como seu homologo brasileiro, Milei correu para associar o adversário Sergio Massa, que possui histórico político em frações direitistas do peronismo, com Cuba, Venezuela e o Hamas.

Ele voltou a citar a escolha que o eleitor fará entre “aliados de Cuba, Venezuela e [o grupo terrorista] Hamas” ou um mundo livre, nas suas palavras. Por fim, soltou uma frase que pode ser o mote de sua campanha daqui para frente para se opor ao discurso de medo de Massa: “Não viemos tirar direitos, viemos acabar com privilégios”.

Mesmo com a derrota, Mile comemorou o resultado do primeiro turno: “não deixemos de ter a real magnitude do evento histórico frente ao qual estamos. Em dois anos viemos disputar o poder com o [poder] mais nefasto da história da democracia moderna”, disse ele.