Mauro Cid volta a ser preso pelo STF após atacar delação

Cid falou por cerca de 1h30, tratando de explicar o conteúdo dos áudios

Da Redação
22/03/2024 - 16:58
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Mauro Cid volta a ser preso pelo STF após atacar delação

O tenente-coronel Mauro Cid foi preso novamente nesta sexta-feira (22) após prestar depoimento no Supremo Tribunal Federal (STF). O ministro Alexandre de Moraes determinou sua prisão preventiva por descumprimento das medidas cautelares e por obstrução à Justiça. A revista Veja vazou ontem áudios do ex-ajudantes de ordens de Jair Bolsonaro, atacando a condução do seu próprio acordo de delação.

Cid falou por cerca de 1h30, tratando de explicar o conteúdo dos áudios. Neles o militar afirma que a Polícia Federal estaria com uma “narrativa pronta” e que os investigadores “não queriam saber a verdade”. Ele também faz críticas a Moraes, dizendo que o magistrado já tem uma “sentença pronta”.

O STF informou que, “após o término da audiência de confirmação dos termos da colaboração premiada, foi cumprido mandado de prisão preventiva” contra Mauro Cid. Os agentes da PF encaminharam o militar ao Instituto Médico Legal (IML) para a realização de exame de corpo de delito, antes de retornar a prisão.

Ao mesmo tempo, os advogados de Cid afirmam, em nota, que “não subscrevem o conteúdo de seus áudios”. Dizem que os conteúdos que Veja divulgou “parecem clandestinos”. Desse modo, alegam que as declarações do militar “não passam de um desabafo em que relata o difícil momento e a angústia pessoal, familiar e profissional pelos quais está passando”.

Cid “traidor”

“Eles (os policiais) queriam que eu falasse coisa que eu não sei, que não aconteceu”, teria dito Mauro Cid a um amigo, conforme a revista. Além disso, ele tenta se defender da pecha de “traidor” que bolsonaristas imputam a ele. Isso porque nos depoimentos que fazem parte do acordo de delação premiada, Cid deu detalhes sobre a trama golpista que Bolsonaro vinha preparando ainda antes da sua derrota nas eleições de 2022. Ele também colaborou.

Cid confirmou, por exemplo, que Bolsonaro fez ao menos cinco reuniões com militares para tratar de um golpe de Estado. Também admitiu que participou do encontro em que o então assessor da Presidência para Assuntos Internacionais, Filipe Martins, apresentou ao então presidente a chamada “minuta do golpe“. Relatou ainda que no mesmo dia, após sugerir ajustes, discutiu o texto golpista com comandantes das Forças Armadas. Dentre outras medidas, a “minuta do golpe” previa a decretação de estado de sítio, com o fechamento do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Incluía também a prisão do ministro Alexandre de Moraes, do TSE e do STF.

“Não sou traidor, nunca disse que o presidente tramou um golpe. O que havia eram propostas sobre o que fazer caso se comprovasse a fraude eleitoral, o que não se comprovou, e nada foi feito”, afirmou Cid nos áudios vazados.

Em outro áudio, ele revela ressentimentos com Bolsonaro e com a cúpula militar. “Quem mais se fudeu foi eu, quem mais perdeu coisa foi eu. Ninguém perdeu carreira, ninguém perdeu vida financeira como eu perdi. Todo mundo já era quatro estrelas, já tinha atingido o topo. Presidente (Bolsonaro) teve Pix de milhões, ficou milionário, né? Tá todo mundo aí (…). O único que teve pai, filha, esposa envolvido, o único que perdeu carreira, único que perdeu vida financeira toda fudida foi eu”, afirma.