Meirelles E Marconi Juntos No PSD?

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Especulações dão conta de que, a pedido do ministro e presidente do PSD, Gilberto Kassab,  Meirelles seria o candidato ao governo de Goiás em 2018, e Marconi, candidato à presidência

Henrique Meirelles pode, enfim, realizar o sonho de ser governador de Goiás. Especulações dão conta de uma operação envolvendo o presidente da silga, o ministro das Cidades Gilberto Kassab, para reaproximar o ex-presidente do Banco Central, do governador Marconi Perillo (PSDB). Seria um jogo de ganha-ganha. Kassab cederia a Marconi a vaga no PSD para uma candidatura à presidência da República em troca do apoio a postulação de Meirelles ao Palácio das Esmeraldas.  Se for confirmada pelos fatos, será uma jogada de mestre.

Henrique Meirelles é um dos mais notáveis goianos de sua geração. Presidiu o BankBoston (1999 a 2002) e o Banco Central na Era Lula (2003-2010). Foi pré-candidato ao Senado nas eleições de 2002, mas optou pela candidatura à Câmara Federal, sendo o campeão de votos em Goiás naquele pleito com 183 mil votos. Em 2010 cogitou candidatura ao governo do Estado, recebendo convites do PP, do governador Alcides Rodrigues e do PMDB, de Iris Rezende Machado. Acabou preferindo concluir seu mandato no Banco Central a pedido do próprio presidente Lula.

A amizade entre Kassab e Meirelles e entre Meirelles e Marconi facilita as negociações. Meirelles conviveu com Kassab quando era presidente do BC e Kassab, prefeito de São Paulo. Em 2012, Meirelles recebeu convite de Kassab para se filiar ao PSD, tendo sido cogitada sua candidatura à prefeitura de São Paulo, mas o lançamento da candidatura de José Serra (PSDB) mudou os planos. Gilberto Kassab foi sucessor de José Serra no Palácio das Indústrias,  e por isto “pagou” o apoio, partipando junto com outros partidos da coligação “Avança São Paulo”, que apoiou a candidatura  do tucano, que foi derrotado por Fernando Haddad (PT).

Não é de hoje que comenta-se que as portas do PSD estão abertas para a filiação de Marconi Perillo. E Marconi não seria o único a deixar o PSDB. Sob a presidência do senador mineiro Aécio Neves o PSDB deve perder seus principais quadros.  José Serra prepara sua filiação ao PMDB, a convite do vice-presidente Michel Temer. O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, negocia filiação ao PSB e o senador Alvaro Dias (PR) já filiou-se ao PV.  Todos que saíram ou cogitam sair do PSDB tem a mesma reclamação: a pauta do quanto pior, melhor, tocada por Aécio está restringindo a atuação do PSDB. Mais: Serra, Alckimin, Dias e o próprio Marconi sabem que Aécio tem controle absoluto sobre o diretório nacional do PSDB, e as chances de um deles ser candidato a presidente pelo partido é praticamente zero.

Em Goiás Marconi Perillo tem um de seus principais aliados, o ex-deputado federal Vilmar Rocha, na presidência do PSD. Não seria difícil a transição para um partido no qual tem maioria. A possibilidade de alçar vôo nacional com a legenda, e de quebra, trazer para sua convivência um quadro com a envergadura de Henrique Meirelles certamente atiçam o apetite político do governador.

Nada em política é certo, até o fechamento das convenções ou até a abertura das urnas. Mas a possibilidade de Henrique Meirelles ser sucessor de Marconi Perillo não pode ser descartada. Em 2010, analisando o quadro sucessório, o próprio Meirelles disse em entrevista áquela época, que em Goiás a tradição é de os governos fazerem seus sucessores. Completando 20 anos ininterruptos de mando no Estado de Goiás o PSDB hoje sofre dos mesmos desgastes que um dia acometeram o PMDB ao final de seu ciclo de 16 anos de governos consecutivos no Estado. Meirelles seria a carta na manga de Marconi? Ou Marconi é que seria o ás de Kassab? Como disse, a evolução (e a confirmação) dos fatos, vai responder a esta pergunta, mas para quem sabe ler nas entrelinhas, fica a pergunta: qual é o ministério do governo da presidente Dilma Roussef (PT) que mais libera recursos para Goiás?

 

Marcus Vinícius