Morre Erasmo Carlos aos 81 anos

Erasmo estava internado em hospital na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio

Da Redação
22/11/2022 - 17:20
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Morre Erasmo Carlos aos 81 anos

Erasmo Esteves, que gerações conheceram como Erasmo Carlos, ou o Tremendão, morreu nesta terça-feira (22), aos 81 anos, completados em junho. O carioca nascido na Tijuca, bairro da zona norte, fez de tudo um pouco na vida e não parava em emprego algum, mas fez da música seu caminho, com e sem o parceiro e “irmão camarada” Roberto Carlos. A infância e a adolescência na Tijuca foi compartilhada por outros futuros músicos, como Jorge Benjor e Tim Maia.

Erasmo estava internado em hospital na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio. No início do mês, ele chegou a ter alta e chegou a ironizar as notícias de que havia morrido, brincando com o fato de sair do hospital em pleno Dia de Finados. E postou foto ao lado da mulher, a pedagoga Fernanda. Ainda no hospital, chegou a citar um trecho de Sujeito de sorte, música de Belchior: “Esse ano eu não morro”.

Encontro com Roberto

O cantor chegou a passar 16 dias internado para tratar de uma doença chamada síndrome edemigênica, caracterizado por acúmulo de líquidos nos tecidos do corpo. Em dezembro do ano passado, também ficou no hospital devido à covid.

Roberto e Erasmo têm praticamente a mesma idade. O “rei” nasceu dois meses antes, em Cachoeiro do Itapemirim. Ambos tinham 17 anos quando se conhecerem, no momento em que o rock desembarcava no Brasil – que logo seria o país da Bossa Nova, com o lançamento do LP Chega de Saudade, de João Gilberto, em 1959.

O sucesso chegou com Festa de Arromba, de 1965. Nos próximos anos, Erasmo, Roberto e Wanderléa iriam conduzir o programa Jovem Guarda, na TV Record, o estouro do pop no Brasil. As animadas tardes ficariam no ar até 1968.

Casado com Narinha, como ele dizia, Erasmo teve três filhos: Gil, Leo e Alexandre (que morreu em 2014, ao 40 anos, depois de sofrer acidente de moto). Nara morreu em 1995. Erasmo e Fernanda casaram-se em 2019.

Gols e bolas na trave

O pop-rock nunca saiu de Erasmo, mas a veia romântica e social também saltou, com obras como Filho único e Panorama ecológico (parcerias com Roberto). Ou o clássico imediato Mulher, em 1981, mesmo ano da irreverente Pega na mentira.

No último aniversário, em junho, Erasmo dizia que “gols e bolas na trave fazem parte do jogo já que a vida é curta e minha vontade é eterna”. E lembrou: “O meu canto será ouvido assim como o som dos ventos, enquanto o sol brilhar e as lembranças resistirem…dei passos vendados em caminhos movediços para ser merecedor de um lugar no pódio do amor”.

Em um mês tão cheio de perdas – Gal Costa (Meu nome é Gal foi composta por Erasmo e Roberto) , Rolando Boldrin e, também hoje, Pablo Milanés –, a música fica sentada à beira do caminho.

Milton: “Te amo, meu amigo!”

O cantor e compositor Milton Nascimento, que acaba de se despedir dos palcos, contou uma história curiosa ao falar de Erasmo. “Sempre prestigiamos um ao outro, foram muitos shows, encontros pelo Brasil, e muitas conversas. Ele até salvou minha vida uma vez, na Urca, estava atravessando a rua e não vi o carro vindo. Erasmo saiu correndo e me empurrou bem na hora. Depois, até brinquei com ele dizendo que, se não tivesse morrido atropelado, poderia ter morrido com a força do empurrão dele”, disse Milton, que também nasceu na Tijuca, mas aos 2 anos foi para Três Pontas (MG).

“Erasmo era coração puro, fiquei muito emocionado quando o encontrei na minha última temporada no Rio, em agosto, quando dediquei o show pra ele. Vai deixar muitas saudades. Te amo, meu amigo! Obrigado por tudo!”, afirmou Milton.

Muito além da Jovem Guarda

O presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva, postou homenagem em rede social. “Erasmo Carlos, muito além da Jovem Guarda, foi cantor e compositor de extremo talento, autor de muitas das canções que mais emocionaram brasileiros nas últimas décadas. Tremendão, amigo de fé, irmão camarada, cantou amores, a força da mulher e a preocupação com o meio ambiente.“Erasmo Carlos foi pioneiro em muita coisa no Brasil”, escreveu o diretor e cineasta Renato Terra. “Trouxe uma batida pro Rock, trouxe atitude, fez músicas geniais que estão nas cabeças de todos os brasileiros. Além disso, foi um Gigante que trouxe uma mensagem de paz, amor, entendimento em sua obra.”