Pecuarista é denunciado por queimada que deixou Manaus sufocada pela fumaça

André dos Santos foi identificado pelo site De Olho nos Ruralistas após cruzamentos dos dados geoespaciais do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e a base fundiária do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra).

Da Redação
06/11/2023 - 11:27
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Pecuarista é denunciado por queimada que deixou Manaus sufocada pela fumaça

O criador de búfalos André Maia dos Santos, pai do ex-vereador Marcelinho Maia, morto em 2020 por Covid-19, é o dono da Fazenda AM-359 que concentrou os maiores focos de queimadas em Autazes, no Amazonas, uma das causas da fumaça que voltou a encobrir Manaus nos últimos dias.

André dos Santos foi identificado pelo site De Olho nos Ruralistas após cruzamentos dos dados geoespaciais do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e a base fundiária do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra).

Em setembro, quando a fumaça começou a encobrir a capital amazonense, o site localizou os primeiros focos de incêndio em um grupo de fazendas situadas no entorno das terras indígenas (TIs) Murutinga/Tracajá, Cuia, Iguapenu e Recreio/São Félix, habitadas pelo povo Mura.

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A propriedade do pecuarista concentrou boa parte das manchas de fogo no início do mês passado.

A partir dessas queimadas, realizadas para renovar o pasto para os rebanhos, que o incêndio se alastrou para as terras indígenas vizinhas, em especial para a terra indígena Cuia.

“A origem das queimadas e a proporção alcançada pelo fogo no entorno da Fazenda AM-359 coincidem com os períodos e locais citados pelos órgãos ambientais”, diz o site.

Indígenas disseram que o fogo comprometeu o principal meio de subsistência dos Mura, que têm tido dificuldade em encontrar áreas disponíveis para plantar e colher mandioca e outros alimentos.

“Acabou que a queimada levou todas as matas, todas as matas virgens, mata capoeira onde as nossas famílias fazem o roçado”, lamentou Adilio Mura, morador da Aldeia Moyray, na TI Iguapenu.

“As pessoas estão tomando a água que é muitas das vezes até compartilhada com os animais, com búfalo e tudo mais”, afirmou o comunicador Waldir Botelho, da etnia Mura.

O De Olho nos Ruralistas destacou ainda que André Maia e seu filho, o ex-vereador Marcelinho Maia, que dá nome ao parque de exposições da cidade, são citados como agressores de indígenas Mura na TI Murutinga no relatório “Violência Contra Povos Indígenas do Brasil – 2019”, publicado pelo Conselho Indígena Missionário (Cimi),

A ocorrência é do ano de 2019. Segundo o relato, uma área ocupada pelos indígenas fora da TI foi cercada por André Maia, que passou a tentar impedir o deslocamento dos indígenas que viviam fora do território homologado.

O desentendimento evoluiu para episódios de violência por parte da família Maia: “O filho do fazendeiro, Marcelinho Maia, vereador, bateu num indígena, que se defendeu. O fazendeiro (André Maia) tentou, então, matar uma pessoa da comunidade, primeiro a punhaladas; depois, utilizando um terçado e, por último a enxadadas”.