Super-ricos: Riqueza no mundo e o Brasil com a maior desigualdade

 Presidente do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) fala da importância de tributar os que detém quase 50% da renda nacional

Da Redação
03/10/2023 - 11:56
  • Compartilhe no Facebook
  • Compartilhe no Twitter
  • Compartilhe no Linkedin
  • Compartilhe no Telegram
  • Compartilhe no WhatsApp

Super-ricos: Riqueza no mundo e o Brasil com a maior desigualdade

 Presidente do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) fala da importância de tributar os que detém quase 50% da renda nacional

Marcio Pochmann*

Ao se utilizar como referência a riqueza definida como valor dos ativos financeiros, acrescidos dos ativos reais por propriedades físicas (moradia, fábrica e outras), menos suas dívidas, constata-se a dimensão da riqueza das nações e a repartição no interior da população.

Neste quesito, o Brasil se destaca por aumentar o número de super-ricos, mesmo que a riqueza se mantemha relativamente estancada. Para o banco suíço UBS, no Relatório de Riqueza Global 2023, o Brasil desponta como o mais desigual, uma vez que os super-ricos, que compreendem apenas 1% da população, ficam com 48,4% da riqueza nacional.

Na sequência vem a Índia com o 1% concentrado no segmento mais rico, que absorve 41% da riqueza, seguido dos EUA (34,3%), da China (31,1%), da Alemanha (30%), da Coreia do Sul (23,1%) e da Itália (23,1%).

Em síntese, os super-ricos no Brasil detêm mais do que o dobro na participação da riqueza do que o 1% mais ricos, por exemplo na Coreia do Sul e Itália. No ano de 2019, por exemplo, o relatório da ONU colocou o Brasil no posto de 2ª maior concentração de renda do mundo.

Isto porque o 1% mais rico concentrava 28,3% da renda total do país, perdendo apenas para o Catar. Na comparação do período de 2001 a 2015, o Brasil já se destaca por ser o país com maior concentração de renda do mundo, considerando a apropriação dos super-ricos.

Pela pesquisa liderada por Thomas Piketty, o Brasil era apontado como o país cujos super-ricos abocanharam 27,8% da riqueza nacional (Pesquisa Desigualdade Mundial). A tributação dos super-ricos, super-protegidos no Brasil, é uma exigência necessária para a inflexão da trajetória concentradora da renda e riqueza nacional. O presidente Lula lidera a reivindicação histórica de um país democrático, justo e solidário.

  • Publicado nas redes sociais do autor