Vídeo: PF prende pastor bolsonarista que foi flagrado com conteúdo de pornografia infantil

Líder religioso, de 58 anos, foi surpreendido pela PF na própria casa, no momento em que acessava os conteúdos por meio de um aplicativo

Da Redação
06/07/2024 - 10:05
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Vídeo: PF prende pastor bolsonarista que foi flagrado com conteúdo de pornografia infantil

O líder religioso, de 58 anos, foi surpreendido pela PF na própria casa, no momento em que acessava os conteúdos por meio de um aplicativo.

Um pastor evangélico da Assembleia de Deus Ministério Belém foi preso em flagrante nesta quarta-feira (3), no Jardim Santo Antônio, em Valinhos, no interior de São Paulo, suspeito de compartilhar vídeos de pornografia infantil. A operação para cumprimento do mandado de prisão contou com policiais federais e militares.

Agnaldo Roberto Betti acumula 457 mil seguidores nas redes sociais, incluindo um canal no YouTube onde oferece lições bíblicas para jovens e adultos.

Segundo a Polícia Militar (PM), o líder religioso, de 58 anos, foi surpreendido pelas equipes na própria casa, no momento em que acessava os conteúdos por meio de um aplicativo. Ele tentou deletar arquivos, mas não conseguiu.

De acordo com a Polícia Federal (PF), Betti já havia sido indiciado neste ano pelo mesmo delito, mas “continuou a adquirir e compartilhar diversos vídeos e imagens de conteúdo de violência sexual infantojuvenil”.

A investigação que levou à prisão do pastor faz parte da Operação Escudo da Inocência, com o objetivo de proteger crianças e adolescentes vítimas de abuso sexual.

Mais de 58 mil casos

O Brasil registrou 58,3 mil casos de estupro de crianças e adolescentes de até 14 anos entre 2020 e 2022. Segundo dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), 48% dessas vítimas sofreram a agressão mais de uma vez antes de serem atendidas no sistema de saúde.

Os registros revelam um longo ciclo de violência que afeta principalmente meninas. Foram cerca de 24,9 mil casos de estupro repetido de crianças e adolescentes do sexo feminino, o que corresponde a 88% de todas as agressões notificadas como recorrentes. Mais de 60% delas eram negras.

No Sinan, essas informações são coletadas compulsoriamente no momento em que a criança é atendida numa unidade de saúde. Se considerados outros tipos de violência sexual preenchidos nas fichas de notificação, como assédio, exploração, atentado violento ao pudor e pornografia infantil, o número de meninas que foram mais de uma vez vítimas do mesmo crime sobe para 40,8 mil.

Já nas informações disponíveis no Disque 100, compiladas pelo Centro Marista de Defesa da Infância, a agressão foi denunciada como repetida a cada 7 de 10 registros de violência sexual contra crianças e adolescentes no período de 2020 a 2023. O serviço coleta denúncias anônimas de violações de direitos humanos.

Meninas vítimas de estupro

Além de serem as principais vítimas de estupro, meninas de até 14 anos também são as maiores prejudicadas pelo projeto de lei discutido na Câmara dos Deputados que quer equiparar o aborto após 22 semanas ao crime de homicídio.

O acesso precoce ao sistema de saúde em caso de gravidez, por exemplo, se torna uma saga principalmente quando a violência acontece dentro de casa. Segundo o Ministério das Mulheres, 68% dos estupros de crianças em 2022 aconteceram na residência da vítima. Nessas situações, a própria família se torna um obstáculo para a interrupção do ciclo de violência.

Para a advogada do Instituto Alana, Mariana Zan, isso faz com que um grupo muito grande de meninas nem mesmo consiga acesso aos serviços de proteção, o que se reflete no prolongamento da violência. “O ambiente doméstico é violento, e é fácil manipular a vítima para dificultar o acesso aos meios de denúncia”, afirmou em entrevista para a DW Brasil.

A isso se soma a relação da criança com o agressor, o sentimento de culpa e até a dificuldade de ser ouvida por outros adultos.

“Todos esses elementos complexificam a questão a ponto de muitas vezes a criança não saber se a agressão é uma violência ou não.”